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Príncipe Impossível – Capítulo 27 – Ninguém é Perfeito

Pouco mais de duas semanas se passaram desde que Gray tinha recebido alta do hospital. A recuperação estava sendo bem produtiva. Gray ficava basicamente a  dia todo na cama assistindo TV ou conversando comigo. Algumas vezes nós dávamos alguns amassos, mas nada muito radical. Geralmente eram alguns beijos aqui e ali e pegadas aqui e acolá.

No fim das contas eu ainda não tinha voltado ao meu trabalho na Pegasus. Estava em casa cuidando de Gray. Acho que Morgan não gostou de Gray tê-la dispensado. No dia que saímos do hospital ela queria ir visita-lo, mas Gray disse que estava cansado e disse que Morgan viesse no dia seguinte, mas ela nunca apareceu. Gray ligava para ela, mas Morgan nunca atendia. Ele queria ver os filhos e percebi que ele começava a ficar bravo com isso e é claro, chateado por não poder ver os filhos e com toda a razão fazia mais de duas semanas.

Meu pai Kenny já estava em Los Angeles. O advogado dele, Bryan, o trouxe e depois de uma breve pesquisa eu o coloquei na casa de Repouso de Madre Tereza. Era um lugar agradável e meu pai poderia passar seus últimos dias lá. Eu devia ir visita-lo pelo menos uma vez por semana, o médico da casa de repouso recomendou isso, mas agora que estava cuidando de Gray eu não tinha tempo, não podia deixa-lo sozinho.

Era quinta-feira de manhã e nós tínhamos acabado de acordar. Eu estava tomando banho no box de vidro e Gray estava fazendo a barba. Ainda tinha um pouco de vergonha dele então eu tomava banho de costas. Era inseguro quanto ao meu corpo eu era imperfeito, todos éramos, mas eu me sentia um pouco inseguro perto de Gray. Nós dois somos homens e perto de Gray eu parecia um sedentário. Nunca fui de fazer academia então nunca tive corpo definido. Tinha aquela barriga protuberante. Era uma pessoa real enquanto ao meu ver Gray parecia um modelo. Sempre fui um pouco cheinho por natureza.

Gray não tem um corpo sarado, mas era definido. Ele tem um peito duro, braços definidos e uma barriga lisa meio durinha. Enquanto Gray é forte e tem um corpo fisicamente atraente eu não me sentia assim quando me olhava no espelho. Isso nunca foi um problema para mim antes, mas agora que estou com Gray eu tenho medo de não agradá-lo.

A verdade é que eu tenho medo. Tudo isso se resume ao medo de ser deixado por Gray afinal eu sou o primeiro homem que Gray namora e se no caminho ele se apaixonar por outra pessoa? E se ele conhecer alguém mais parecido com ele? E se ele me abandonar? Não posso deixar de evitar que eu sou só o primeiro homem que Gray fica. Tenho medo de não ser o último.

Sempre que tomava banho e Gray queria usar o banheiro ele sempre esperava um pouco até que o box de vidro ficasse embasado, mas mesmo assim eu estava de costas. A água quente caia em meu corpo e eu esfregava o sabonete no corpo. Gray estava atento no espelho. Ele estava aparando a barba. Ele não gostava de barba muito cheia então ele aparava a cada dois dias. A barba dele era castanha com cabelos brancos. As vezes eu esquecia que namorava um homem de quarenta anos. Ele fica tão charmoso com a barba grisalha.

As vezes quando mudo o ponto de vista e tento olhar para nós dois como um casal eu não acho que combinamos.

– o que achou? – perguntou Gray desligando o barbeador e se aproximando do box de vidro. Ele me deu um susto e me tirou da distração.

– está bonito – falei olhando rapidamente e me virando de costas de novo.

Gray viu que eu me assustei e por alguns instantes ele ficou em silêncio.

– eu posso tomar banho com você? – perguntou Gray.

No mesmo instante eu desliguei o chuveiro mesmo sem ter realmente terminado.

– não, eu já terminei – falei abrindo o box e pegando o roupão me vestindo – pode tomar banho só você – falei saindo do banheiro secando meu cabelo com a toalha.

– porque você nunca me deixou te ver pelado?

– porque não, eu também nunca te vi.

– mas eu fico de cueca e eu quase não te vejo nem sem camisa.

– é só o meu jeito. Sinta-se honrado por eu deixar você usar o banheiro enquanto estou no banho.

– estou honrado por poder te ver de costas através de um vidro embasado – falou Gray curtindo com minha cara.

– ótimo, agora não vou deixar mais você usar – falei fechando a porta do banheiro para eu vestir a minha roupa. Quando a gente namora o nosso mundo muda um pouco. Por muito tempo foi só eu e eu meio que sempre fui uma pessoa que não ligava muito para a aparência. Nunca me importei com o que as pessoas pensassem de mim, mas eu meio que me importo com o que Gray pensa.

– namorar é uma droga – falei de frente ao espelho vestindo minha cueca.

Talvez eu deva aproveitar esse tempo que tenho até poder tranzar com Gray para poder melhorar o meu corpo. Não tenho dinheiro para a academia no momento, mas posso começar a fazer uma dieta. Posso até comprar algum remédio que ajude a perder peso.

Terminei de vestir a minha roupa e quando escutei a água do chuveiro cair fui até o guarda-roupas e peguei a maleta de Gray. A maleta que ele usava para fazer atendimentos em casa.

Levei a maleta até a cozinha e ao chegar lá eu liguei meu notebook e pesquisei o nome de algum remédio que cortasse o apetite. Depois de uma pesquisada rápida descobri um nome: Sibutramina. O remédio cortava o apetite e pelo o que li haviam alguns relatos de pessoas que emagreceram 15kg em três meses. Esse era o remédio perfeito para mim. Ele só era vendido com receita especial azul e era ai que Gray entrava.

Abri a maleta de Gray e depois de uma olhada vi que ele tinha vários receituário e para a minha sorte tinha o azul. Pesquisei na internet como se preenchia uma receita dessas e foi o que fiz. Preenchi o meu nome, o nome de Gray e o nome do remédio com quantas caixas e outras informações. Precisava ser rápido. Gray não costumava demorar no banheiro.

Depois de conferir rapidamente se tinha preenchido tudo eu peguei o carimbo de Gray e apertei no final da folha em seguida falsificando a assinatura dele. Esse era um dos meus talentos.

Ouvi a porta do banheiro se abrir r eu rapidamente arranquei a receita e guardei tudo dentro da maleta e eu então coloquei ela dentro do armário na sala. Depois eu a guardaria de volta no guarda roupas. Dobrei a receita e coloquei no bolso e então fechei a página da internet. Peguei algumas coisas dentro do armário e comecei a fazer o café da manhã. Panquecas que era a comida favorita de Gray.

Alguns minutos depois Gray saiu do quarto vestido como se fosse sair para a rua.

– onde você vai? – perguntei colocando a massa da panqueca em uma frigideira.

– hoje vou ver os meus filhos. Morgan não atende o celular então se Maomé não vai a montanha a montanha irá a Maomé.

– a ‘Montanha’ devia estar de repouso e não devia sair.

– eu estou bem – falou Gray levantando a camisa já até tirei os pontos do ferimento a bala.

– você mesmo tirou? você é doido Gray?

– relaxa Griffin eu sou médico – falou ele abaixando a camiseta.

– não vai me dizer que tirou os pontos da cabeça também?

– é claro. Nem dá pra ver – falou Gray se virando mostrando que o cabelo onde tinha sido feita a cirurgia já tinha até crescido. Foi perto da nuca.

– não doeu pra tirar? – perguntei colocando a terceira panqueca em um prato. Coloquei mais massa na frigideira e me aproximei de Gray.

– não doeu – falou Gray se sentando próximo ao balcão e eu fui atrás dele e passei a mão. Gray estava certo estava bem cicatrizado.

– isso aqui está bem cicatrizado, mas isso não justifica o fato de você ter tirado os pontos sozinho.

– eu vou ficar bem eu só preciso ir ver meus filhos.

– sei que sente falta deles, mas precisa pensar em você. Seus filhos precisa de um pai vivo.

– a culpa não é minha é da Morgan.

– deixa que eu ligo pra ela.

– não adianta.

– me promete que não vai sair daqui até eu tentar ligar. Se eu convencê-la a trazê-los  você fica em casa?

– fico sim – falou Gray pegando uma panqueca e colocando caramelo em cima. Aproximei dele e deu um selinho na boca dele e eu peguei meu celular e fui para o meu quarto. Coloquei o número de Moran e o celular chamou algumas vezes, mas ela não atendeu.

Tentei mais duas vezes e foi a mesma coisa: Morgan não atendeu. Olhei para o celular e vi que era pouco mais das nove horas então ela já devia estar no trabalho. Liguei para Holly que atendeu quase que imediatamente.

– oi Griffin – falou Holly animada.

– oi Holly, tudo bem com você?

– claro e com você e Gray? Como estão?

– estamos ótimos.

– o que você manda?

– você está na Pegasus?

– desde as oito da manhã, porque?

– passa seu telefone pra Morgan por gentileza.

– porque? Aconteceu alguma coisa?

– não se preocupe, está tudo bem é que eu não tenho consegui falar com ela.

– OK – falou Holly ficando em silêncio por alguns segundos.

Ouvi alguns barulhos e então um silêncio. O silêncio durou tempo demais e eu até pensei que a ligação tinha caído, mas ouvi uma respiração.

– Morgan?

– oi Griffin – falou ela do outro lado da linha.

– que bom que eu consegui falar com você.

– do que você precisa? – perguntou ela sarcástica.

– eu não preciso de nada, quem precisa é o Gray. Ele quer ver os filhos.

– eu não tenho tempo, estou muito ocupado.

– corta essa Morgan, sei que você ficou chateada por Gray estar vindo se recuperar aqui no meu apartamento, mas não pode privar ele de ver os filhos porque está começando a interferir na recuperação dele. Gray tirou os pontos hoje dentro do banheiro e está pronto pra ir até ai brigar com você por causa disso. Ele diz que está bem e eu acredito nele, mas ele precisa repousar. Ele pode estar curado por fora, mas o corpo dele precisa de mais alguns dias para se recuperar totalmente. Já faz duas semanas.

– tudo bem, eu passo ai de noite.

– não. você vai trazê-los agora.

– estou no trabalho Griffin. Deixei os dois com a babá.

– Morgan o Gray ficou em coma e quase morreu. Ele pode não admitir, mas isso mexeu com ele. Ele só quer ver os filhos e ficar com eles o máximo que puder. Não faça por mim e nem pro você, faça por ele.

– tudo bem – falou Morgan – chego ai no máximo em quarenta minutos.

– muito obrigado Morgan.

Desliguei o telefone e saído quarto para dar as boas noticias ao Gray, mas quando sai do quarto ele não estava mais na cozinha. Ele tinha comido uma panqueca inteira e a chave do carro e o celular dele não estavam mais lá.

– droga – falei saindo do apartamento e pegando o elevador.

Apertei o botão do subsolo e ao chegar no estacionamento fui até a minha vaga e o carro de Gay estava lá.

– meu deus, onde ele foi? – perguntei olhando em volta. Pensei em onde ele estaria e apalpei os bolsos. Acabei deixando meu celular no apartamento.

Voltei para o meu apartamento e ao pegar  meu celular em cima do balcão Gray entrou pela porta.

– onde você estava?

– eu fui lá embaixo. O porteiro ligou e disse que você tinha uma encomenda e eu fui receber.

– que susto, eu pensei que você tivesse ido atrás da Morgan.

– eu não fui, mas estou indo.

– não precisa. Conversei com ela.

– e? – Gray veio até mim e me entregou um pacote.

– ela está trazendo os garotos.

– obrigado Griffin – falou Gray me abraçando e de dando dois selinhos.

– não precisa me agradecer – falei sentindo a barba dele roçando e mim. me fez cócegas e  eu ri.

– faz cócegas é? – perguntou Gray beijando meu pescoço esfregando a barba me fazendo rir.

– faz, para com isso – falei rindo trazendo o rosto dele de volta e dando um beijo bem gostoso na boca dele.

– o que é isso? – perguntou ele olhando para o pacote.

– não sei – fale olhando a embalagem – foi enviado da prisão onde meu pai estava.

Tinha uma carta grudada fora da embalagem dizendo que essas eram as coisas que meu pai mantinha na cela dele.

– aqui diz que são coisas que meu pai manteve com ele na cela no tempo em que ficou preso.

Abri a embalagem e vi que além do celular e de algumas moedas tinha algumas fotos. Eram três fotos da minha infância. Meu pai, minha mãe eu, outra foto tinha só minha mãe e ele e na terceira foto tinha meu irmão Christopher.

– porque será que ele tinha essas fotos com ele?

– é a família dele – falou Gray – se eu fosse preso eu também ia querer foto da minha família.

– eu sei, mas ele matou meu irmão. É estranho.

– ele deve ter se arrependido muito Griffin. Você disse que ele bebia muito. Não estou tentando justificar o que ele fez, mas ele deve ter se arrependido.

– vou guardar essas coisas – falei pegando a embalagem e levando até o meu quarto. Abri o guarda roupas e peguei uma caixa de madeira que eu guardava alguns álbuns de fotografia. Coloquei tudo lá dentro e botei de volta no lugar.

– agora é só esperar por meus filhos – falou Gray se sentando no sofá da sala.

– Gray eu vou precisar tirar um dinheiro da sua conta pra poder comprar…

– não precisa me pedir Griffin. Quantas vezes eu vou ter que te dizer isso.

– OK, eu volto logo.

– Mas agora?

– sim é bem rápido.

– tudo bem – falou Gray.

Fui até o quarto e peguei o cartão de Gray.

– eu volto logo – falei me inclinando no sofá dando um selinho na boca de Gray.

Ao sair do apartamento verifiquei meu bolso e tirei de lá a receita. Espero que dê certo. Havia uma farmácia no outro quarteirão do outro lado da rua e eu caminhei rapidamente até lá. Ao entrar entreguei ao farmacêutico a receita. Ele olhou a receita azul e olhou para mim.

Tentei não parecer nervoso e até sorri para o farmacêutico tentando parecer amigável. Depois de alguns segundos ele foi até outro farmacêutico e começou a cochichar sobre algumas coisa e em seguida ele foi para o estoque de remédios. Em seguida ele voltou com três caixas do Sibutramina.

– U$ 176,00 dólares – falou o farmacêutico.

– no débito por gentileza – falei mostrando o cartão para ele, mas tampando o nome de Gray. Ele não podia ver que o nome do médico que me passou a receita era o mesmo no cartão. Ele ia achar que eu tinha roubado um médico.

Coloquei eu mesmo o cartão na maquininha e depois de digitar 1658 – que é a senha do cartão de Gray – eu retirei e a transação foi aprovada.

– obrigado – falou o atendente me entregando uma sacola com os remédios.

– obrigado você – falei saindo da farmácia.

Estava caminhando de volta para o meu prédio quando meu celular tocou. Era um número desconhecido.

– alô?

– alô – falou uma voz diferente do outro lado da linha – estou falando com o Griffin Blake?

– é ele mesmo, com quem eu falo?

– desculpa incomodar Sr. Blake. Meu nome é Cherilyn Louise O’Connor.

– no que posso ajudar Cherilyn?

– me chame de Louise.

– OK – falei parando de andar – no que posso te ajudar Louise?

– você é detetive particular?

– sim, onde você conseguiu meu número?

– o Kiefer me passou.

– A ta, o Kiff – falei mais calmo. Estava até pensando que era Hugo armando alguma coisa já que a pessoa do outro lado da linha tinha uma voz diferente.

– eu sou uma amiga do Kiff e eu estou com um problema pessoal e ele disse que você poderia me ajudar.

– olha se você ligar na Pegasus eles podem marcar um horário para você, eu meio que estou de licença no momento.

– você não entendeu. Eu preciso de você porque só você vai me entender e me ajudar.

– eu não posso Louise.

– por favor.

– tudo bem. Quando podemos nos encontrar?

– pode ser agora?

– agora?

– sim. Sei que é abuso, mas eu estou disposto a pagar o que você pedir.

– que tipo de trabalho é?

– eu te digo quando chegar aqui.

– onde você está?

– Watts em South Los Angeles.

Watts era um bairro muito pobre de South Los Angeles  e lá se localizavam os mais pobres onde o índice de violência era maior devido a toda droga e criminalidade do local. Gray disse que eu deveria ir até ele antes de tomar uma decisão estúpida, mas essa era a chance de ganhar algum dinheiro por mim mesmo então decidi ir. Louise me passou  o endereço e eu peguei um Uber até lá.

No caminho abri uma das caixas de remédio e tomei dois comprimidos. Talvez dois deles de manhã e dois deles a noite me ajudem a emagrecer mais rápido. Sei que não posso fazer milagre, mas posso pelo menos ficar com a barriga reta. Preciso preservar Gray porque do contrário ele vai arranjar alguém que o faça.

Quando chegamos em South Los Angeles eu percebi logo de cara. Os locais eram mais pobres e a cidade menos preservada. Haviam pichações por todos os lados e pessoas vagando nas ruas, provavelmente mendigos pelas roupas. O índice de violência era grande.

– é aqui – falei apontando para um prédio bem velho.

Assim que finalizei a corrida eu entrei no prédio. Havia um interfone, mas ele estava quebrado. Havia uma porta de grade, mas estava arrombada e eu a abri e subi de escadas até o quarto andar até o apartamento dezenove.

– Louise? – falei batendo três vezes na porta. Esperei alguns instantes e em seguida a porta se abriu.

– Griffin? – falou o homem… mulher abrindo a porta. Sim, eu fiquei confuso, mas logo entendi porque a voz soava tão diferente no telefone. Tentei não transparecer minha surpresa ao descobrir que Louise era uma transexual.

– olá – falei sorrindo.

– surpreso? – perguntou ela sorrindo.

– um pouco – falei entrando – desculpa se te ofendi, mas é que eu não imaginei que fosse uma transexual.

– você reagiu bem comparado ao que algumas pessoas – falou ela brincando. A casa dela era bem modesta, mas tudo era bem arrumado e limpo.

– então Louise… de onde conhece Kiff?

– eu trabalho no prédio onde ele mora. Na limpeza – falou ela envergonhada – não existe muita oportunidade para pessoas como eu.

– não ,tudo bem – falei tentando deixa-la mais a vontade – você mora aqui?

– não – falou Louise apertando as mãos uma na outra ela parecia nervosa – eu vivo em Harvard Heights, mas eu tenho várias amigas por aqui… transexuais – falou ela parecendo nervosa – acabei conhecendo várias enquanto estava em transição, enfim… Kiff sempre foi gentil comigo e eu comentei com ele que precisava encontrar uma pessoa, mas não podia ir á uma empresa por se tratar de algo delicado e no fundo eu tenho medo.

– medo? Como assim?

– eu preciso que você procure um médico para mim.

– eu não entendo Louise. Você poderia ter ido ao hospital, você está se sentindo bem?

– não sou eu que estou com problema – falou ela indo até a porta de um quarto fechado – muitas de nós não temos condições de pagar por uma cirurgia. Muitas vezes precisamos de autorização de psicólogos para fazer a cirurgia de modo seguro em um hospital então algumas de nós optam por meios não tão ortodoxos.

– você está se referindo a cirurgia de ajuste de sexo?

– sim – falou Louise.

– você está querendo dizer a cirurgia clandestina?

– sim, elas são mais baratas e geralmente os cirurgiões bolam um plano de pagamento e nós conseguimos nossa cirurgia.

– isso é perigoso Louise. Essas cirurgias precisam ser feitas em hospital que são ambientes preparados e estéreis, não só essas, mas qualquer uma. Eu não posso procurar pra você um cirurgião clandestino. Se quer fazer a cirurgia precisa procurar por um licenciado.

– não é pra mim eu já completei a minha transição.

Louise abriu a porta e eu vi uma cama. Nela estava deitada outra transexual, mas ela tremia como se estivesse com frio.

– o que aconteceu com ela? – perguntei me aproximando vendo que ela estava claramente passando mal.

– ela fez a cirurgia com um médico clandestino a três dias. Ela não estava respondendo minhas ligações e quando eu a vim visitar eu a encontrei desse jeito – falou Louise tirando o cobertor de cima da amiga. Havia uma mancha de sangue no colchão.

– como você se chama? – perguntei me aproximando dela.

– Victória – falou a transexual com dificuldade.

– ela precisa ir para um hospital urgentemente – falei pegando meu celular ligando para a emergência – eu preciso de uma ambulância em South Los Angeles, na rua 47, no prédio John Denver – falei desligando o celular.

– você precisa encontrar o cirurgião – falou Louise – ele precisa pagar por isso. Imagina quantas outras não fizeram cirurgia com ele?

– tudo bem – falei olhando para Victória na cama –a ambulância está a caminho.

– OK – falou Victória chorando de dor.

– você sabe o nome do cirurgião que fez a cirurgia em você?

– sei, mas não posso dizer – falou ela com medo – ele pode se meter me confusão.

– você precisa me dizer porque o que ele fez com você pode custar a sua vida e de outras pessoas.

Victória olhou para Louise que sinalizou positivamente com a cabeça encorajando a amiga a falar a verdade.

– Grant – falou Victória respirando fundo pela dor – Dr. Grant Davis Clarke – falou ela segurando minha mão. Ela apertou a minha mão.

– Vai ficar tudo bem a ambulância deve chegar a qualquer momento – falei me sentindo mal por ela e pelo nome do médico. Davis Clarke era o mesmo sobrenome de Scott. Ainda segurando a mão de Victória eu peguei o meu celular com a outra mão e liguei para Gray.

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