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A Grande Maça – Capítulo 24 – Amado Titio

Passou-se dois dias que eu tinha me encontrado pela última vez com Homer. Eu tinha que admitir que me sentia feliz agora que tinha meu namorado. Era uma sensação diferente ter um namorado já que eu tinha sido garoto de programa por muito tempo. Finalmente eu podia ser eu e ter meus gostos e desejos afinal agora eu não preciso agradar um cliente.

Era sexta feira de noite e eu estava sozinho no flat lendo um livro e assustei quando meu celular tocou. Eu fui olhar o número e era um número desconhecido.

– alô quem fala? – falei atendendo o telefone.

– Fry? – falou a voz que eu reconheci na hora.

– tio Jeff?

– como você está? – falou ele.

– estou bem e o senhor?

– estou ótimo.

– como vai tudo aí em casa?

– até quando eu estava lá estava tudo bem. – falou tio Jeff.

– como assim? – perguntei – você não mora mais com minha mãe ela está sozinha?

– não é isso – falou tio Jeff – na verdade eu queria fazer uma surpresa, mas eu tive que ligar não sei aonde você mora.

– o senhor está aquí em Nova York?

– estou sim.

– aonde o senhor está?

– estou hospedado no hotel no centro.

– porque o senhor não veio?

– não quis atrapalhar.

– não vai atrapalhar, mas tudo bem.

– vamos nos encontrar amanhã? Almoço ou jantar?

– jantar – respondi.

– fica combinado então.

– aonde a gente se encontra?

– me passa o endereço do seu flat e eu te busco aí.

– tudo bem.

Eu passei o endereço e depois de perguntar como estava minha mãe eu desliguei o telefone feliz por ver meu tio afinal eu sentia saudades dele. No dia seguinte eu me arrumei e assim que meu tio estava chegando ele me ligou e disse para esperá-lo na porta.

Eu esperei por alguns longos minutos lendo um bom livro até que finalmente ví a luz de um farol bem alto nos meus olhos me fazendo franzir a testa. O carro parou na minha frente e abriu a porta do carona e eu entrei.

– olá – falou meu tio.

– olá – falei entrando no carro. – está de carro novo?

– as coisas estão indo muito bem pra mim. – falou ele sorrindo e começando a andar com o carro.

– e minha mãe? Com quem ficou?

– com o seu irmão.

– e como Charles está?

– muito bem – falou ele.

– nós vamos a algum restaurante em especial?

– vamos a um restaurante japonês! Você come sushi?

– sim, lembra aquela vez que o senhor me levou?

– é verdade, mas aquele dia pareceu que você não gostou muito.

– que nada, foi à primeira vez e eu achei estranho, eu sei que fiz caras e bocas, mas não se engane eu gostei e muito.

Logo nós chegamos a um restaurante e tinha uma pequena fila de pessoas que esperavam restaurante esvaziar para que entrassem.

– boa noite – falou uma moça muito simpática que nos acolheu – infelizmente o restaurante está cheio.

– nós temos reservas – falou meu tio.

– qual o nome?

– Jeffrey Davis Thompson.

– ok – falou a moça – me acompanhem que vou levar vocês até a mesa.

Assim que chegamos á nossa mesa nós nos sentamos e fizemos nosso pedido. Assim que chegou nosso pedido nós conversamos enquanto comíamos.

– quase esqueci – falou meu tio mastigando e engolindo – sua mãe te mandou um abraço.

– obrigado, quando ver ela manda dê um abraço nela por mim.

– pode deixar.

– como está meu irmão? De verdade, como ele está depois do que aconteceu com nós três – disse isso dando um gole do refrigerante. – como ele está lidando com tudo?

– bem… – falou meu tio sendo interrompido quando derramou um pouco da cerveja na camisa. Foi o que eu pensei, mas logo percebi que ele tinha derramado quase a metade do copo no colo.

– que droga – falou ele levantando a mão e logo veio o garçom e ajudou meu tio a se limpar.

Depois de alguns minutos ele já estava pronto para continuar comendo.

– deve estar péssimo com essa calça molhada. – falei.

– sim, mas não quero estragar nossa noite por causa disso.

– se estiver incomodando muito nós podemos ir.

– não precisa – respondeu ele.

Nós continuamos a comer e depois de algum tempo conversando decidimos ir embora. O relógio já marcada um pouco mais das 01:00 da manhã. Antes de entrar no carro meu tio veio até mim e me deu um abraço.

– o abraço da sua mãe, não quero ficar devendo.

– obrigado. – respondi.

Nós ficamos abraçados por um certo tempo, meu tio não me largava. Depois de alguns segundos nós finalmente nos soltamos e logo entramos no carro.

– vou te deixar na porta do prédio – falou meu tio ligando o carro.

– obrigado.

– de nada.

– não por isso, obrigado por ter vindo, eu realmente gostei de ver um rosto conhecido.

– não foi nada, sempre que quiser uma companhia é só me ligar.

– quase esqueci de mencionar, eu estou namorando. – falei

– sério? Quem é a garota de sorte? – falou meu tio.

Eu olhei pra ele e sorri pensando na piada que ele tinha feito. Ele olhou pra mim e ficou rindo.

– quem é a sortuda? – falou ele outra vez.

Meu sorriso foi desaparecendo no mesmo tempo que encaixei as peças.

– pai? – falei olhando pra ele e logo o sorriso em seu rosto também desapareceu.

– por favor… – falou ele, mas logo eu interrompi?

– para esse carro – falei olhando pra frente.

– filho, por favor.

– para o carro! – falei alterado.

– você tem que me ouvir.

Sem olhar pra ele abri a porta do carro e me virei para me jogar e ele freou de uma vez fazendo os pneus cantarem. Eu saí do carro em um pulo e comecei a ir pelo caminho a pé.

– meu pai saiu do carro e veio arás de mim.

– filho por favor, eu queria muito te ver.

– devia ter pensado nisso antes de abandonar a mim e a minha mãe.

– Fry! – gritou meu pai me fazendo parar. – eu parei e ainda de costas olhei para a rua deserta e apenas a luz dos postes nos iluminavam sem contar o farol de algum carro que passava algumas vezes.

– o que foi? – falei me virando.

– eu sou seu pai, você tem que me respeitar.

– respeitar? Você não é meu pai, você não é metade do homem que pensa que é, que tipo de homem abandona a própria família pra ir atrás de uma vagabunda qualquer.

– eu sei que errei e quero concertar as coisas entre nós dois, eu sou seu pai eu penso em você e seu irmão todos os dias.

Eu parei por uns segundos, se eu não tivesse sofrido tanto na vida por causa daquele bastardo eu teria o perdoado aquela hora, mas um turbilhão de lembranças me veio a cabeça me fazendo ter ódio dele outra vez.

– como você sabia aonde eu estava?

– meu irmão, eu o visitei e ele me contou sobre você, a culpa não é dele, Jeff não sabe que eu vim.

– ele não devia ter dito nada sobre mim – falei.

– ele não queria, mas eu insisti, eu realmente queria saber como estava meus dois filhos.

– minha mãe sabe que você o visitou?

– não, eu encontrei seu irmão em um outro lugar, nem seu irmão sabe que eu vim.

– acho bom, que tal fazer que nem da outra vez e desaparecer?

– filho – falou ele dando uns passos até mim e eu me virei começando a andar outra vez.

– eu sei que você sofreu – falou ele.

– sabe? Tem certeza? Você não sabe o que eu passei e dê graças ao seu deus por eu não ter coragem de te contar o que eu fiz esse último ano. Você não sabe o que é sofrer, minha mãe é que sofre.

Eu ví ele olhando para o chão. Pude ver por um carro que passou e o iluminou.

– não se preocupe comigo, eu vou chamar um taxi daqui você pode ir embora.

– como você soube que era eu? – perguntou ele.

– o que você acha? A pergunta sobre namorada. Tudo se encaixou, o carro, a bebida derramada, os desvios das perguntas pessoais.

– mas o que tem a ver a pergunta?

– você realmente não sabe? Eu sou gay. – falei.

– o que? – perguntou meu pai.

– isso mesmo.

Meu pai veio andando até mim e eu fiquei parado vendo ele se aproximar de mim.

– você é o que? – perguntou meu pai sem expressão no rosto. – porque algum problema?

Ele não disse nada e apenas abriu a mão de deu um tapa no meu rosto.

– filho meu não é viado.

Eu coloquei a mão no rosto sentindo meu corpo tremer de ódio.

– com que direito você acha que pode me bater? – falei me virando pra ele com ódio nos olhos, se eu tivesse uma arma ou faca na mão eu o mataria alí mesmo, eu tinha muito ódio em meu corpo. – você é louco…

Antes que eu pudesse terminar de falar meu deu um soco no meu olho me fazendo cair no chão me apoiando nos cotovelos que ralaram e logo começaram a arder e senti o sangue escorrer na minha bochecha.

– que direito? – falou ele pisando em meu peito. – eu tive um filho homem – ele falou isso com ódio em seus olhos – eu não tenho filho bicha e você não vai manchar o nome da minha família – Eu sentia falta de ar porque ele pisava forte em meu peito e meus cotovelos sangravam muito.

Mesmo com os braços doendo eu coloquei as mãos no seu pé tentando tirar de cima de mim, mas não foi possível.

– tira o pé de cima de mim – falei alto, mas ele tirou o pé do meu peito e pisou no meu pescoço.

– vou fazer você virar homem como meu pai faria.

Ele começou a desabotoar o sinto e tirou dobrando e começou a bater no meu corpo todo. Cada chicotada era como se fosse à picada de 100 abelhas. Eu tentava desviar e me defender com os braços, mas a fivela batia nos meus dedos tão forte que me fazia sair lágrimas dos olhos.

– eu gritava e torcia para que um carro passasse na rua, mas como se fosse uma ironia divina nenhum carro passou naquele momento.

Em um momento eu era um homem crescido realizando os sonhos em Nova York, agora eu parecia um garoto assustado apanhando do pai. o pé estava tão forte no meu pescoço que eu sentia uma falta de ar instigante. Eu tentava gritar cada vez que o cinto tocava em meu corpo, mas ao invés de um grito eu soltava um som agudo e fraco.

– você tinha razão – falou ele tirando o pé do meu pescoço e colocando o cinto – eu não tenho filho e você não tem pai.

Ele disse isso se virando e indo até o carro e em alguns segundos eu ví o carro arrancar. Meu corpo todo doía e eu tentei me levantar, sentindo meu peito e barriga arderem, os dedos da minha mão pareciam estar quebrados e eu ainda podia sentir o peso dele sobre meu pescoço. Eu me levantei e comecei a andar mancando com o rosto molhado de lágrimas, suor e sangue. Logo eu ví o farol de um carro se aproximando e eu fui para o meio da rua e levantei as mãos para que o carro parasse e logo saiu um homem e uma mulher de dentro do carro.

– meu deus! – gritou a mulher.

– você está bem? – perguntou o homem vindo até mim.

Eu não respondi nada e apenas balancei a cabeça positivamente.

A mulher veio do meu lado e os dois me ajudaram a andar e entrar no carro.

– vai ficar tudo bem, vamos te levar a um hospital.

Logo que cheguei na emergência do hospital fui atendido e depois de limpar as feridas e receber alguns pontos eu fui internado pois eu tinha muitos ferimentos na cabeça. Em todo o atendimento apenas respondi o que me foi perguntado secamente, eu ainda não acreditava que aquilo tinha acontecido e deitado no leito do hospital ví dois policiais entrarem pela porta.

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