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Documentário: Os transexuais no Irã

Em um país como o Irã, onde a homossexualidade é punida com a morte, muitos jovens homens homossexuais com características femininas destacadas, decidem mudar de sexo. Esta é a realidade retratada no filme “Be like others”, documentário da diretora iraniana-americana Tanaz Eshaghian.

A mudança de sexo é possível no Irã graças a uma fatwa (decreto religioso) emitido vinte anos atrás pelo aiatolá Khomeini, que permitia a cirurgia a pessoas “diagnosticadas transexuais”. A maior parte dos candidatos se dirige ao cirurgião mais famoso desta área, Bahram Mir Jalali, de Teerã, que em um ano realiza mais interventos deste tipo “do que se fazem na França em dez anos”, se explica nas notas de produção.

A diretora, nascida no Irã, mas criada em Nova York, acompanha um grupo de jovens que decidem mudar de sexo e conta as suas histórias. Entre os personagens estão Vida, de 24 anos, que depois que virou mulher, atua como consultora aos candidatos à cirurgia; Anoosh, de 20 anos, que junto ao seu namorado, Ali, vive a operação como a ocasião para se libertar das acusações e agressões dos guardiões da moral iraniana, e Ali Askar, que relembra os abusos sofridos na pequena cidade rural onde cresceu.

“Quis contar estas histórias porque representam um mundo dentro do Irã do qual nunca tinha ouvido falar e que não podia nem imaginar que existisse”, explica a cineasta.

“Queria ver como a cultura iraniana, que é muito conservadora, se relaciona com as pessoas que não se encaixam nas definições culturais tradicionais”, continuou.

A diretora também contou que não teve problemas para filmar no Irã. “Me permitiram tratar este tema porque as operações para mudança de sexo são apoiadas pelo Estado. Acredito que pensaram que desta vez seria divulgada uma imagem do Irã mais moderno, diferente dos freqüentes retratos anti-iranianos que mostram a cultura deles como arcaica e contra o Ocidente”, afirmou.

Para Tanaz Eshaghian, o fato de ser uma iraniana crescida em Nova York, também a ajudou a estabelecer uma relação de mais confiança com os meninos que aparecem no filme. “De um lado me viam como uma norte-americana, e isto os intrigava. Mas por outro lado, como vinha de fora, eram mais abertos comigo. O meu status de ocidental lhes fazia sentir que aquilo que me contavam não seria dirigido contra eles”, conta a diretora.

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