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Desejos de Colégio – Capítulo 9 – A expectativa da Segunda

Acordei naquela segunda com medo. Não sei do que eu tinha mais medo: de Matheus e Rodrigo fingirem que nada aconteceu ou de ambos brigarem entre sí e a escola toda descobrir o que aconteceu. Não estava mais no armário, mas não saí espalhando para a turma toda sobre mim, muito menos sobre eles.

Será que Rodrigo tinha notado a troca de gravatas na festa? E Matheus, será que se importava o bastante comigo ou aquilo era só uma experiência diferente para ele? Eu estava com medo.

Deve ser por isso que andei tão lento para o colégio, chegando atrasado. Cheguei na coordenação para conseguir o passe de atraso e o coordenador me olhou estranho, afinal eu nunca me atrasei para a aula. Ele me deu o passe pois eu sempre fui em excelente aluno, então fui para a aula.

Era aula de matemática e a professora estava entregando avaliações, logo que entrei ela me deu a minha. Tinha feito 91/100, estava ótimo. Mas eu não queria saber disso, depois que olhei para minha nota, olhei para o fundo da classe. Lá estavam, os dois, me olhando. Rodrigo e Matheus. Um me encarava de modo carinhoso, com seus olhos azuis calmos. E o outro me olhava com um fogo, não sabia de que, mas parecia que ele estava falando algo mentalmente pra mim.

CORREDOR DE LIVROS

Rodrigo estava agindo estranho com Matheus. Mas não parecia que o contrário havia acontecido. A aula transcorreu normalmente, a única diferença foi que não conseguia parar de observá-los. O sinal para o intervalo bateu e logo o coordenador entrou na sala falando:

-Eu sei que vocês teriam aula de Inglês após o intervalo mas o professor Felipe está de atestado médico. Vocês tem duas escolhas: ir para a biblioteca ou ajudar o professor Fabio de Educação Física a montar os jogos anuais que ocorrerão no próximo mês. Ambas as escolhas terão lista de chamada e a falta nelas será severamente punida. Boa manhã a todos.

Droga. Minha aula preferida interrompida por isso. Eu não queria encarar nem Rodrigo nem Matheus, então quando escolhi a Biblioteca minhas amigas se irritaram comigo e foram para o campo de jogos aberto. Poucas pessoas foram para a biblioteca.

Chegando lá pude escolher o que fazer, então decidi arrumar os livros de maneira alfabética. A biblioteca do colégio é enorme, mesmo, maior que a de muitas faculdades. As prateleiras são extensas e enquanto organizava os livros sentei no chão entre as estantes de literatura americana. Sentado ali, percebi que um livro se destacava dos outros, por estar bem surrado.

Era um de meus preferidos, O Morro dos Ventos Uivantes de Emily Bronte. Abri o livro e logo achei uma frase sublinhada com marca-texto vermelho.

“Seja lá qual for o material de que nossas almas são feitas, a minha e a dele são do mesmo.”

Esse livro era incrível, de todas as maneiras possíveis. As pessoas só devem ter paciência com o início. Ele é diferente do resto. Enquanto eu divagava no que eu lembrava da história não ouvi os passos vindo em minha direção. Foi só quando ele estava na minha frente que olhei para cima.

-Oi Bernardo, posso sentar contigo? -disse Rodrigo, já sentando do meu lado.

Eu engoli em seco. Não estava preparado para isso, eu achei que tinha mais tempo. Achei que todos estariam no ginásio. Ele deve ter percebido minha cara de nervoso pois começou a falar de novo.

-Eu queria dizer que os últimos dias foram bem confusos. Na verdade não. Esclarecedores. Desde que você foi fazer trabalho lá em casa, eu sei lá, tem algo em ti que me faz não querer sair de perto e eu não sei explicar nem entender mas eu cansei de fugir de mim. Eu me sinto eu mesmo quando estou perto de ti…

Eu estava em choque. Quando que Rodrigo falaria algo assim? Ainda mais pra mim. Eu não sabia o que fazer além de olhar pra edição do O Morro dos Ventos Uivantes na minha mão.

-Eu não consigo parar de pensar em ti … – ele continuou, colocando a mão no meu queixo e fazendo-me olhar pra ele – eu não quero parar de pensar em ti mais…

E então ele me beijou pela terceira vez. Aquele beijo, que não foi por impulso como o primeiro ou bebida como o segundo, foi perfeito. Eu sentia sua língua na minha, suas mãos no meu corpo, passando-as por dentro da minha camiseta.

Cada toque parecia cheio de uma vontade guardada em sete chaves e que agora estava livre para ser. Ele me puxou e me colocou sentado em seu colo, onde eu pude sentir que estava excitado, me deixando também. Coloquei as mãos em seus braços que estavam flexionados e fortes.

Não acreditando que aquilo estava acontecendo eu parava de beija-lo para olhar pra ele. Um pouco de sol da janela semiaberta batia nele, deixando seu rosto iluminado e corado. O silencio completo da Biblioteca quase ecoava, com alguns sons de lápis e borrachas na área de estudo, bem longe dali.

Ele me olhava. Nos olhos, sem fugir, estando ali comigo. Enquanto estávamos nos beijando ele tirou o casaco e colocou no chão, me deitando com a cabeça nele e subindo em mim, fazendo minhas pernas se apoiarem do lado do seu corpo.

-Eu te quero Bernardo – ele dizia me olhando nos olhos – eu te quero mesmo…

Então ele subiu minha camiseta com as mãos e começou a beijar meu corpo. Eu estava em outro planeta. Sua boca sabia o que estava fazendo, suas mãos deslizavam até minha barriga, até os lados do meu corpo. Ele então tirou seu pau pra fora e estava indo com as mãos para tirar minha bermuda.

Que pau gostoso. Eu havia visto ele mole e já tinha me deixado excitado. Agora duro, com a cabeça rosinha e mais grosso estava me deixando louco. Segurei as mãos dele com as minhas impedindo-o de tirar minha bermuda. Estava ouvindo passos.

-Tá vindo alguém -falei baixinho

Então Rodrigo levantou, colocou o pau de volta pra calça e correu para a estante Z lá no final. Só deu tempo de eu baixar a camisa, sentar e pegar o livro do chão pois quando olhei pra cima vi Matheus ali, me olhando.

-Você tá bem Ber? -ele falou se abaixando pra sentar do meu lado – tá meio vermelho.

-Estou bem sim, você não foi ajudar o professor Fábio com o resto do pessoal?

-Já acabamos, já é quase meio dia, você ficou lendo esse tempo todo?

Eu não tinha percebido. Passou muito tempo, ficamos nos pegando mais tempo do que eu tinha achado. Matheus estava me olhando com uma cara confusa. Aqueles olhos azuis me deixando nervosos.

-O que nós somos, afinal?

A minha pergunta o pegou desprevenido. Eu falava baixinho na esperança de Rodrigo não conseguir nos ouvir, seria a maior confusão se ele chegasse ali agora.

-Eu não sei, estamos nos conhecendo. E afinal, o que isso importa? Você quer sair por aí falando da gente pra alguém? -ele disse, parecendo triste

-Não, não é isso. Não é pra outra pessoa, é pra mim. Eu queria saber como vão ser as coisas. Pois a gente ficou duas vezes e nunca conversamos sobre algo além disso.

O celular dele começou a tocar. Ele olhou rapidamente o visor e me disse:

-Vai lá em casa hoje de tarde, vou te esperar ok? -e beijou minha testa- esse livro é ótimo!

E saiu. Matheus saiu em direção a porta com um pouco de pressa, me deixando curioso. Peguei O Morro dos Ventos Uivantes e abri na última página. Lá estava, sua assinatura, duas vezes. Uma ano passado e uma esse ano. Ele leu mesmo, ele leu esse livro. Nunca imaginaria isso.

Comecei a ouvir os passos de Rodrigo voltando e coloquei o livro de volta na estante e me levantei.

-Quem era afinal? -ele estava me olhando com cara de medo.

-Ninguém te viu, Rodrigo, ninguém viu nada.. relaxa. -falei chateado – vou pra casa, podemos conversar depois?

-Mas e o que estávamos fazendo? -ele me olhava

-É só isso que quer? -me virei pra ele e falei com raiva

-Não, claro que não. Você ouviu alguma coisa que eu falei antes? -ele disse, chateado – Eu não sei demonstrar direito, mas eu quero mais que isso. Eu quero tudo contigo.

-Eu preciso pensar hoje, tudo bem? -peguei uma caneta da mochila e peguei sua mão e anotei meu telefone- Me chama de noite, podemos conversar, vou pra casa – quando estava saindo ele puxou meu braço, sem muita força, me beijando na boca.

-Um beijo pra não esquecer de mim. -ele sorria de canto

Então eu saí, mais confuso do que quando cheguei.

CÉU AZUL

Fui pra casa e nem almocei. Estava pensando em mil coisas, se eu devia alguma explicação pro Matheus ou se devia alguma para o Rodrigo. Se eu estava traindo os dois ou se estava traindo a mim mesmo. Eu sabia que de qualquer maneira teria que escolher. Não poderia ficar com ambos ao mesmo tempo. Ou poderia?

Eram pensamentos que assombravam minha mente. E o mais difícil era que tinha compromissos com os dois no mesmo dia. Cheguei na casa de Matheus aí pelas 15h da tarde. Ele desceu para abrir pra mim só de calça de moletom, como no outro dia. Usava apenas a calça e um sorriso lindo.

-Você veio! Estava com medo que fosse me dar um bolo. – ele disse animado – tenho uma surpresa!

Sorri de volta, tentei o máximo que pude. A verdade era que eu odiava surpresas. Gosto de ter as coisas sob o meu controle, gosto de planejar, arrumar e estar ciente do que vai acontecer. Não gosto de perder o controle. “Mas ele não sabe disso ainda” me repreendi em pensamento.

Chegando no apartamento dele ele foi tirando a calça e estava sem nada por baixo. “Apressadinho, mas gostoso” pensei. Não entendi quando ele começou a colocar roupas de esporte e me jogou outras bem parecidas.

-São roupas de ciclistas, vamos dar uma volta hoje, tenho uma surpresa!

Não estava entendendo nada, mas comecei a tirar a minha roupa e colocar aquelas ali. Ele me olhava tirar a roupa e chegava perto, apertando minha bunda e beijando meu pescoço.

-Porra menino, já estou duro! -E estava mesmo. Aquela roupa deixava tudo marcado. – mas vou me conter, hoje vamos fazer algo diferente.

Eu estava me divertindo, tinha que admitir. Matheus era agradável, uma ótima companhia. A surpresa dele era um morro que quase morremos subindo. Ele levou as duas bicicletas na parte que subimos apé, pontos pra ele.

-Olha essa vista – ele falava – quase tão linda quanto tu.

Sorri pra ele, que me beijou largando as duas bicicletas no chão. Deitamos na grama verdinha enquanto seu corpo estava em cima do meu. Dava para sentir direitinho nossos paus roçando um no outro de tesão. Cada vez mais duros. Ele tirou a minha bermuda e a dele, colocando uma camisinha no pau dele e enfiando-o no meu cu.

-Ahhh, que gostoso – gemi de prazer e um pouco de dor – me come bem assim.

Ele gemia e enfiava mais fundo, me fazendo gemer de olhos fechados. Seu pau era uma delicia e ele era muito bom nisso. Suas mãos pareciam mais que duas percorrendo meu corpo.

-Você é muito bom -falei abrindo os olhos e vendo o sol batendo em seu rosto.

Logo lembrei da biblioteca, um flashback com Rodrigo, do sol da janela entrando e batendo em seu rosto e saí de cima de Matheus o deixando confuso.

-Tudo bem Ber? Te machuquei? -ele falou, preocupado.

-Tem problema se não fizermos hoje? -falei, quase chorando

-Claro que não, nem viemos aqui pra isso.. eu só queria ver a vista contigo, o pôr do sol talvez.. -ele disse – só me animei demais, você sempre me excita.. aconteceu alguma coisa?

-Eu só, estou confuso..

-Pelo que nós somos? Eu não sei o que eu quero ainda, Ber. Mas estou feliz, você não está?

-Eu estou…

-Então, vamos continuar curtindo. Sem se machucar, sem prender ninguém, vamos só fazer o que nos deixa feliz.

-Sem prender ninguém.. O que nos deixa feliz.. -repeti baixinho

-Vem aqui, vamos olhar essa vista linda juntos.

E me puxou, me sentando na sua frente. Olhamos o céu em silêncio, observando as nuvens por um tempo. Logo depois começamos a brincar do que elas se pareciam, achamos vários formatos divertidos. Até que meu celular deu um tom de mensagem. Fui na mochila com minhas roupas e peguei-o.

“Ei Bernado, Rodrigo aqui. Podemos nos encontrar às 8:30 na praça do Brauss? Vou te esperar lá, nem precisa responder a mensagem. Um beijo, o meu beijo.”

Eu li, duas vezes, olhei no relógio e eram 18h quase. Falei pro Matheus que deveria voltar pra casa. Ele falou que tudo bem e disse que eu poderia ficar com a roupa, ele tinha comprado pra mim. Pra gente andar de bicicleta juntos já que sua irmã tinha deixado a dela (no caso a que usei hoje).

Descemos o morro juntos, o que foi bem mais divertido que subir. Eu gostava da companhia de Matheus. Ele era bom pra mim. Mas suas palavras “Então, vamos continuar curtindo. Sem se machucar, sem prender ninguém, vamos só fazer o que nos deixa feliz.” ficaram presas na minha mente. “E se Rodrigo me fizer feliz também?” eu não deixava de pensar. E logo o encontraria. Falaria algo de Matheus? Ainda estava confuso.

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7 comments

  1. Top, a cena na biblioteca sem medo de que alguem podesse ver, dar um tesao e ao mesmo tempo medo, poxa parabens…

  2. anderson vinicius

    Melhor leitura e muito bom a cena no morro o Matheus foi muito fofo “Olha essa vista quase tão linda quando tu” o meu pai quero alguém assim comigo e q me faça feliz sem me machucar como nos livros de amor e com o personagem .

  3. Verdade , o ato da biblioteca é formidável^^

  4. Pq umas coisas dessas n acontecem comigo?
    Meu sonho…:/

  5. Nossa, estou muito viciado nessa história!
    Assim que sai um capitulo eu vou as pressas ler.

    Só gostaria muito que ele ficasse com o Matheus. Sei lá, já gosto dele.Rs

  6. AAAAAH socorro!
    Esse conto tá me deixando tenso… Não vejo a hora de saber o que vai acontecer com esses três ?

  7. A parte da biblioteca e do monte com o Matheus e deu um tesao!

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