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Desejos de Colégio – Capítulo 1 – Introdução

Eu sempre fui o mais baixo da turma. Com meus 1,67 de altura e total desequilíbrio a Educação Física (E.F) sempre foi um saco. Mesmo assim eu poderia ser considerado muito bonito. Não me importava de ser baixo… Eu tinha cabelo castanho, olhos verdes e um corpo normal, nada musculoso, apesar de ter ombros largos, além de uma bunda grande e redonda. Sobre a altura, o problema foi que sofri durante todo o Ensino Fundamental com a professora, esperava que no Ensino Médio fosse só piorar. Para a minha sorte o professor que dava aula para o Ensino Médio não era igual aos outros, sua diferença? Ele deu opções variadas de esportes (inclusive Xadrez estava nessa lista).

Obviamente escolhi Xadrez. Eu e um outro menino da outra turma do Colégio assinamos a lista. Seu nome era Leandro, porém nunca tinha notado ele nem conhecido, ambos tínhamos 15 anos mas essa era a nossa única coisa em comum. Pelo menos eu não sofreria tanto com o bullying nos esportes pelo próximo ano e estava muito aliviado.

Eu não tinha muitos amigos meninos, talvez por ter questionado e descoberto minha sexualidade desde cedo (com 9 anos já sabia diferenciar que não me interessavam namoradinhas), ainda assim tinha muitas amigas. Porém nenhuma delas pode fazer essa aula de E.F. comigo já que no Ensino Médio tinha separação por genero, já que os ginásios eram separados e com vestiários únicos. Nesse momento agradeci por Leandro ter decidido se juntar ao Xadrez.

Eu ainda era virgem (acredito que todos da turma eram, 15 anos recém feitos, a única que aconteceu comigo – além das punhetas- fora algumas brincadeirinhas com primos, mas nada além disso) porém estava sempre de olho nos meus colegas “héteros”. Essa aula de Xadrez era perfeita pois era no mesmo horário do Futebol Masculino – todas as quartas-feiras as 16:30 até 18:00 no ginásio masculino – além de não ter que correr e estragar o jogo deles (evitando o bullying) eu poderia vê-los jogar com aqueles shorts apertados e depois ainda espiar seu banho no vestiário que guardávamos nossas coisas.

PRIMEIRO AULA DE E.F

Na primeira semana de aula tudo ocorreu normal. A turma estava com as mesmas pessoas e a sala (apesar de um andar pra cima) continuava todo mundo nos mesmos lugares. Eu sempre fui da turma do fundão, mas a minha turma tinham 2 fundões. Na verdade ela era dividida bem direitinho… Vou explicar.

As meninas que “sabiam de tudo” sentavam na frente, seguido pelas patricinhas/riquinhas logo atrás. No meio da sala ficavam as meninas de boa com a vida. Em um dos cantos um grupo de meninos/meninas nerds e no lado oposto outro de meninas rockeiras (iam em show e tudo). Enfim o fundão: no lado direito sentava eu e minhas 3 amigas e no lado esquerdo, nas 6 mesas restantes sentavam os 6 meninos “populares” e héteros da sala.

Os 6 muchachos, como se chamavam, eram o grupinho de meninos que era sempre o mesmo desde praticamente minha vida inteira escolar, porém eu nunca fui do grupo deles. Eu sentava estrategicamente bem no canto para poder ficar observando de canto, 5 deles eram muito bonitinhos, só 1 era feinho.

Os dias foram passando e enfim chegou a primeira quarta-feira, ou seja, primeira aula de Educação Física. Por morar pertinho do colégio cheguei as 16h. Estava quase na hora da grande E.F. então já desci em direção ao ginásio. Lá encontrei o Professor Fábio, resolvi me apresentar e fazer um pouco a linha puxa-saco, já que seria 1 dos únicos a jogar Xadrez.

– Olá professor! Sou o Bernardo, temos E.F. daqui a pouco certo?

– Isso mesmo! Quer esperar aqui no ginásio? respondeu ele

– Se não for incomodo, gostaria sim!

– Você é um dos meninos que se matriculou em Xadrez? Sempre é ofertado mas ninguém quer. Achei muito legal alguém se interessar! disse ele animado

– Sou sim! Eu adorei a iniciativa!

– Finalmente alguém! Haha, vou pegar o tabuleiro!

Então ele foi para os vestiários (onde ficavam os materiais das aulas). Foi passando o tempo e fui montando o tabuleiro enquanto o meu suposto colega de Xadrez não chegava. Enquanto isso foram chegando os meninos das duas turmas que haviam se matriculado em Futebol, todos indo em direção ao vestiário. Fiquei curioso, afinal, essa seria a primeira vez que estaríamos treinando no ginásio do Ensino Médio, com vestiários, banhos, fora do horário de aula e longe das meninas. Fui para a área dos armários do vestiário para fingir guardar minhas coisas enquanto observava eles se trocarem. Os 6 muchachos, o grupinho de meninos da minha sala, estava lá dentro junto com outros meninos da outra turma. Eles conversavam e riam enquanto tiravam o uniforme do colégio colocando o short e a blusa do time de Futebol da E.F.

Poucos eram tímidos e foram se trocar nos banheiros fechados, pra minha sorte, nenhum dos 6 da minha turma eram acanhados. Rodrigo e Matheus eram os mais bonitos dos 6. Rodrigo tinha cabelo preto, era alto (1,80) e tinha um corpo já bem definido para sua idade, principalmente os braços fortes, além disso, meus pensamentos deliravam naquela linha de pelos pretos que desciam do umbigo dele até o volume grande que tinha na sua cueca. Matheus tinha um tipo diferente de beleza, era loiro, olhos azuis, e era mais baixo (mas ainda mais alto que eu, com seus 1,72).. Seus pelos eram loiros, assim como seu cabelo. Seu volume que mais chamava atenção era a bunda, talvez tão grande quanto a minha, mas o da frente também parecia muito interessante. Muito minha mente já tinha imaginado esses dois, desde que comecei a bater punheta muitos anos antes. Além deles, estavam Gabriel, Lucas e Vinícius, muito bonitinhos também. Além do sexto muchacho, o Douglas, que não era tanto.

Decidi que era hora de voltar pro ginásio pois já havia ficado tempo demais “guardando minhas coisas” e não queria ser percebido ali espionando. Quando voltei dei de cara com um menino sentado perto do tabuleiro de Xadrez. De costas ele parecia muito alto, talvez mais que os 1,80 de Rodrigo. Quando cheguei mais perto me apresentei, disse que meu nome era Bernardo e agradeci por ele ter escolhido esse “esporte”.

Leandro sorriu pra mim, muito simpático, além de me agradecer também. Comentou que a coisa que mais odiava na vida era correr e esportes, fora a natação que era viciado. Talvez seja por isso que tinha ombros largos e um corpo legal. Ele usava óculos, tinha cabelos compridos demais e meio seco e um corte bem estranho, mas no geral parecia aturável. Com uma camiseta daqueles desenhos japoneses que não entendo nada.

– Então, prefere as brancas ou as pretas? ele perguntou, educadamente

– Eu tenho que confessar uma coisa, eu só me inscrevi em Xadrez pra não ter que correr. Na verdade eu não sei jogar…

– Vish! Tudo bem carinha, temos o ano todo, posso te ensinar. É um dos meus jogos preferidos, além dos onlines. Voce joga algum?

– Nossa, não também, eu gosto de pac-man, serve?

Leandro soltou uma risada rápida e começou a me explicar pacientemente as 1001 regras do Xadrez. Enquanto isso eu tentava me concentrar nelas, mas não conseguia 100%. Logo ali do lado estava acontecendo um jogo com muitos volumes e malas pra lá e pra cá nos shorts. Tinham vários meninos gatos da outra turma também para aproveitar. 1 hora e 30 de Educação Física mais o banho no vestiário depois da aula seriam meu paraíso o ano inteiro.

Mal sabia eu tudo que aconteceria dentro e fora daquele ginásio…

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