Home / Contos / Confusões no Colegial – Capítulo 9 – Suspiros

Confusões no Colegial – Capítulo 9 – Suspiros

Derick subia a avenida com os braços entrelaçados em volta de si. Uma brisa fria soprava balançando as árvores e esvoaçavam-lhe os cabelos. Em sua cabeça havia uma confusão de palavras e no coração guerra de sentimentos.

“Kaio é o cara pelo qual ela era APAIXONADA” – O que Lizi contara sobre Tatiane não saía dos pensamentos. Era como se a voz da amiga repetisse várias e várias vezes a mesma frase: e pelo visto, “AINDA É.”

Ele leva uma das mãos à testa, esfregando-a como se procurasse uma alternativa para as vozes interiores.

“Eu só penso em você, só penso em você” – O trecho da canção ecoava e junto a ele os olhos azuis de Kaio que o encarava durante a canção no pub, ou certa vez na mesa dos professores, ou ainda se desviando em momentos durante as aulas.

O coração do garoto palpitava forte, não sabia o que fazer. Já era difícil ser gay, ainda mais agora apaixonado por um cara comprometido e pior ainda, paixão da melhor amiga.

“Você está em dívida comigo” – O eco da voz gentil de Tatiane lembrava-o da prova de amizade que ela o dera quando se meteu em uma confusão por sua causa. Estava em dívida com a amiga, não podia magoá-la, não podia assumir que estavam apaixonados pelo mesmo cara.

Derick continuou subindo a avenida chutando algumas pedrinhas pelo chão. O rock que saía do pub ficava distante e as luzes alaranjadas dos postes pareciam mais intensas. De repente um som de buzina vindo de um local escuro soou próximo as árvores.

Os vidros abaixaram-se, era Lucas.

Lucas, que mexia com sua mente libidinosa.

Lucas, que não era mais comprometido.

Lucas, um cretino discreto.

Lucas, quem sabe a solução para aquele sentimento que precisava abandonar.

Derick hesitou por alguns instantes, pensou bem. Já sabia das intenções do garoto. Seria apenas um passatempo, nada sério. Afinal, o príncipe nesta história era Kaio, loiro dos olhos azuis. Lucas era apenas um amante, um reles plebeu, uma reles ficada.

“Como dizem: uma nova ficada para curar um pé na bunda”. Derick recordava-se da frase que o rapaz dissera, quando no parque desabafava sobre o fim do namoro. Talvez uma nova ficada também pudesse curar uma paixão indevida, tirar Kaio dos seus pensamentos.

A buzina soou novamente. Ele levou as mãos aos braços para espantar o frio, respirou fundo e atravessou a rua, indo em direção ao carro prateado, indo em direção a Lucas.

* * *

– Precisando de carona? – O rapaz perguntou ironicamente enquanto Derick se aproximava da porta do motorista. Ele olha para Lucas e repara que em sua mão estava uma garrafa amarronzada. – Uísque! Aceita? – Lucas oferece balançando o conteúdo.

Derick nunca tomara bebida alcoólica, mas quem sabe ajudaria a esquecer. Deu a volta, entrou e sentou-se no banco do passageiro, ao lado do condutor.

– Vamos sair daqui – Ele pegou a garrafa e tomou um gole. Sentiu aquela substância descer queimando e ficou um pouco tonto. Em seguida sentiu Lucas derrapar com o veículo sobre o asfalto, mostrando virilidade misturada com bebida ao volante.

O carro seguiu pela avenida. Ambos iam em silêncio, mas a mente de Derick continuava falando alto. Ele olhou para o rapaz, as sombras dos postes projetadas no interior do veículo subiam pela região das pernas em direção ao pescoço.

Derick reparou em sua calça jeans com rasgos sobre os joelhos. Os olhos acompanharam o trajeto das sombras até a regata branca com estampa do Guns `N Roses[i]. A iluminação que vinha da rua permitia ver uma tatuagem destacada no braço malhado. Lucas não era um bombado, mas tinha o corpo bem definido.

Derick deu outro gole, foi quando Lucas esticou a mão pedindo a garrafa. Ao entregá-la os dedos se tocaram por tempo suficiente para perceber as mãos grossas de jogador de futebol.

Derick acompanhou o trajeto da garrafa sendo elevada à boca: primeiro passou pelo pescoço com veias aparentes e finalmente tocou os lábios iluminados por um feixe de luz. Em alguns instantes tudo ficou escuro, Lucas entrara em um parque mal iluminado.

Ele estacionou o carro em local não movimentado, ambiente cercado por mata densa e com altas árvores de galhos retorcidos. Abriu a porta e desceu, Derick fez o mesmo e o encontrou escorado no porta-malas do veículo. O vento soprava mais forte e o céu estava bastante estrelado.

– Está frio aqui fora – Lucas comentou tomando mais um gole do uísque.

– E você com essa regata deve estar congelando – Derick observa.

– Sem problema. A bebida aquece – Ele leva a garrafa à boca, percebendo então que o conteúdo acabara.

– Eu sei de algo que aquece mais – E fora de si, talvez pelo efeito do álcool, Derick agarra o rapaz desajeitadamente pelo pescoço, imprensa-o contra o porta-malas e ambos se beijam. Lucas joga a garrafa de lado e pega o companheiro pela cintura puxando-o de encontro a si.

Os dois permanecem beijando-se sem nada falar. Ficam ofegantes devido ao frio e ao calor da relação “proibida”. Lucas com um giro inverte as posições. Agora era Derick a ser imprensado contra o porta-malas.

Vem comigo – sussurra ofegante ao ouvido do rapaz, que está com o coração quase saindo pela boca. Em seguida o conduz em direção à porta traseira do veículo – Entra – Ele diz.

Lucas, eu… – Derick hesita por um instante e depois completa – eu nunca fiz isso.

– Não tem problema – Ele desliza o dedo em sua boca puxando o lábio inferior, depois completa – Eu te ensino.

Derick entra e acomoda-se no banco. Lucas fecha a porta, se aproxima e mansamente debruça-se sobre ele. A respiração de ambos continua ofegante, tremem e sentem os calafrios do desejo.

Eu vou te amar com carinho – Lucas sussurra ao ouvido do parceiro beijando-o em seguida. O beijo é quente, as línguas entrelaçam suavemente e Derick suga-lhe os lábios como se fosse um doce desejado.

Após alguns minutos, Lucas ergue o corpo, tira a camiseta e sente as mãos de Derick descendo por seu pescoço, acariciando os mamilos, os pêlos do tórax rumo ao umbigo. Então faz um círculo na barriga definida e finalmente pressiona o botão da calça jeans, que não demora a ser aberto.

Lucas desliza as mãos pela cintura de Derick levantando a camiseta preta do Evanescence até conseguir removê-la, inclina-se e suga-lhe os mamilos rosados enquanto o faz gemer com leves mordidinhas. Um longo beijo de língua vem a seguir, descendo pelo pescoço para aprecia o doce perfume daquela pele clara e macia.

Diz que você me quer – Lucas sussurra ao ouvido de Derick.

Eu te quero – Ele responde enquanto acaricia as costas másculas.

Lucas desliza as mãos até sua cintura e com os dedos, retira lentamente short e cueca, deixando o bumbum macio de Derick em contato com o banco. Ele dá um gemidinho e Lucas bastante excitado abaixa a própria calça.

O corpo nu de ambos fica em contato, pele com pele, boca com boca. Juntinhos podem ouvir as batidas do coração. O calor em contato com o frio faz formar-se várias gotículas nos vidros do carro, que unidas, se precipitam como suor.

Lucas segura Derick pela cintura e trocam de posição. Agora sentado em seu colo, Derick delicia-se naquele corpo malhado e embriagado, exalando o envolvente perfume viril.

Você confia em mim? – Lucas sussurra ao seu ouvido bem baixinho.

Confio – Derick confirma sentindo as mãos do rapaz apalpando-lhe o bumbum, massageando-o delicadamente com saliva. O garoto ainda virgem está indo a loucura, ambos estão muito excitados. Então Lucas repete a pergunta:

– Você confia em mim?

Confio – Derick torna a confirmar e ofegante sente o órgão ereto e quente do parceiro roçando-o. Lucas já havia se protegido com o preservativo e o pacotinho laminado fora descartado ao lado.

Você me deseja? – o rapaz pergunta enquanto posiciona o membro.

Sim – Derick gagueja nervoso.

Delicadamente Lucas começa a penetrá-lo. Pouquinho a pouquinho pra que se acostume. Derick sente pela primeira vez a desconfortável dor da invasão, mas tranquilizado por Lucas procura relaxar a fim de facilitar a entrada.

Diz para mim, o que você quer? – Lucas sussurra novamente em seu ouvido.

Eu… (Derick se engasga com a própria fala), Eu quero você.

Delirando com a resposta e com os sentidos aguçados pelo álcool, o rapaz sente o membro deslizando dentro do amante. Ajeitando-se melhor no banco do veículo, começa o movimento de vai e vem, lentamente para não machucar, aumentando o ritmo conforme Derick aprecia a experiência. Os corpos tocam-se, a respiração está pesada. Abraços, carícias e mordidinhas nos lábios.

Os movimentos ficam intensos. Lucas está indo um pouco mais rápido, sente que vai explodir, jorrar, gozar. Então seu líquido sai em jatos fortes, trazendo uma sensação indescritível que preenche a camisinha dentro de Derick. Em êxtase sente o parceiro gozar e cair desfalecido sobre seu peitoral. Entrega. A melhor palavra para explicar aquele momento.

* * *

– O que você achou? – Lucas pergunta após algum tempo, sentindo Derick deitado sobre o seu corpo.

– Perfeito – Derick busca a melhor palavra para descrever, sentindo as mãos de Lucas acariciando seu pescoço.

Os rapazes permanecem em silêncio por alguns minutos, ouvindo o vento lá fora.

– Ninguém precisa ficar sabendo o que houve – Lucas sussurra.

– E ninguém vai – Derick completa.

________________________________

[i] [Banda] Guns `N Roses: Uma banda de hard rock formada em Los Angeles, Califórnia (EUA), em 1985.

 

About gayson

Check Also

Confusões no Colegial – Capítulo 10 – Gripe

−Perfeitos. Simplesmente perfeitos (suspiros). Aqueles abdomens malhados, braços musculosos e os bumbunzinhos… (mordisca os lábios …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *